A recuperação de ecossistemas degradados é uma questão urgente, especialmente em um momento em que o mundo enfrenta crises ambientais e climáticas. Um recente relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), apresentado na 17ª Conferência sobre Biodiversidade (COP17) em Yerevan, Armênia, revela que, embora haja progresso, a velocidade das iniciativas de restauração ainda está aquém do necessário. Dos 1 bilhão de hectares que os países se comprometeram a restaurar até 2030, apenas 25% dessa área conta com projetos documentados.
O levantamento global, que abrange informações desde 1966 até 2026, destaca que cerca de 252 milhões de hectares estão em processo de recuperação, representando apenas um quarto das metas estabelecidas. A ONU enfatiza a necessidade de triplicar as ações de recuperação nos próximos anos para atender às demandas do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, que estipula que ao menos 30% dos ecossistemas degradados do planeta estejam sob restauração efetiva até o final da década.
O relatório também traz à tona a disparidade entre os ambientes terrestres e aquáticos em termos de restauração. Enquanto 232 milhões de hectares de áreas terrestres estão sendo recuperados — com a maior parte localizada na Ásia, especialmente na China — os ecossistemas aquáticos apresentam um panorama alarmante. Somente 11 milhões de hectares de rios, lagos e áreas úmidas estão sob restauração, o que representa apenas 4,5% da meta global para 2030.
Além dos números preocupantes, a ONU destaca a importância do financiamento adequado para essas iniciativas. Em 2022, o investimento global em restauração foi de US$ 64 bilhões, mas estima-se que seriam necessários US$ 296 bilhões anualmente para cumprir as metas. O relatório também sugere que a restauração pode trazer benefícios sociais, como a criação de até 32 milhões de empregos até 2030, além de melhorar a qualidade da água e mitigar os efeitos das mudanças climáticas.
Com a degradação ambiental se agravando, a urgência de uma mobilização global em torno da recuperação dos ecossistemas se torna cada vez mais evidente. A ONU ressalta que, embora existam iniciativas promissoras, é essencial acelerar o ritmo e aumentar o investimento para que os compromissos assumidos sejam efetivamente cumpridos. O tempo é curto e as consequências da inação podem ser irreversíveis.



