O Brasil se prepara para passar a presidência da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP) para a Turquia, mas antes disso apresenta duas importantes propostas que visam combater o desmatamento e reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Os chamados “mapas do caminho” foram revelados em um evento no escritório do PNUD no Brasil nesta terça-feira (3).
O primeiro documento, que aborda o desmatamento, propõe uma série de ações coordenadas entre os países, além de enfatizar a necessidade de financiamento robusto para a proteção das florestas. A ONU alerta que, para alcançar resultados efetivos até 2030, seria necessário triplicar os investimentos atuais, um desafio que se mostra cada vez mais complexo.
Por outro lado, o segundo mapa foca na transição energética, levando em conta as diferentes realidades de cada nação na redução do uso de combustíveis fósseis. Essa abordagem é inovadora, uma vez que a presidência da COP30 decidiu tratar de temas que não conseguiram consenso nas discussões anteriores, especialmente em relação à transição energética que o Brasil tentou incluir sem sucesso.
André Corrêa do Lago, ao responder a críticas sobre a eficácia dos documentos, garantiu que eles servirão como uma contribuição significativa para o novo balanço global que será discutido na COP31, em Antália. Ele destacou que, mesmo que os temas do petróleo e das florestas possam não ser o foco nesta conferência, os mapas não serão “letra morta”.
A ex-ministra do Meio Ambiente e atual deputada, Marina Silva, defendeu a importância dos documentos como um legado da presidência brasileira da COP30, ressaltando que eles são parte de um esforço contínuo para evitar que o aquecimento global ultrapasse limites críticos. Ela mencionou a recente queda do desmatamento como um sinal de que progressos são possíveis e que o próximo objetivo deve ser o desmatamento zero.
Entretanto, a realidade do Brasil revela um paradoxo. Enquanto os mapas do caminho propõem ações em prol da sustentabilidade, o país continua a explorar novos poços de petróleo na Foz do Amazonas. O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, enfatizou que, embora o Brasil esteja investindo em matrizes energéticas limpas, ainda há uma necessidade de explorar os recursos fósseis que são relevantes em um mundo que, por ora, ainda depende deles.
Os documentos serão apresentados ao presidente Lula antes da COP31, que ocorrerá nos dias 11 e 12 de novembro. A diretora-executiva da COP30, Ana Toni, também mencionou que os avanços realizados entre as duas conferências serão consolidados em um relatório a ser apresentado em Antália. Apesar de não serem obrigatórios, ambientalistas esperam que esses novos documentos incentivem países que hesitam em avançar na implementação do Acordo de Paris, alegando falta de capacidade.
Crédito da imagem: Mapa do caminho é divulgado



