O aumento alarmante nos incêndios na região do Rio Urubu, em Itacoatiara, no Amazonas, está sob investigação do governo federal, que aponta para a possibilidade de uma “ação criminosa deliberada”. O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, mencionou que essa investigação pode ter vínculos com o atual contexto eleitoral, levantando questões sobre a segurança ambiental durante este período crítico.
Desde o início de outubro, o Amazonas tem enfrentado um número de focos de incêndio quase duas vezes maior do que o registrado no mesmo mês do ano passado. A fumaça gerada pelos incêndios tem afetado a qualidade do ar em Manaus, encobrindo a cidade por dias e levando a administração municipal a fechar escolas públicas para proteger a saúde da população.
Capobianco realizou um sobrevoo nas áreas afetadas e constatou a presença de “centenas” de focos de incêndio em regiões de floresta preservada, indicando que as queimadas não se tratam apenas de uma consequência de práticas agrícolas irresponsáveis, mas sim de uma ação orquestrada para promover a degradação ambiental e a ocupação ilegal de terras. “Os responsáveis agem de forma organizada e intensa”, afirmou o ministro.
Além disso, ele destacou que a conexão entre os incêndios e o período eleitoral é uma linha de investigação em aberto, especialmente após a utilização desse tema em campanhas políticas. O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, criticou a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusando o governo de negligência em relação à situação na Amazônia.
Em resposta à crise, o governo federal mobilizou 11 aeronaves e cerca de 300 brigadistas para combater os incêndios. A expectativa é de que a situação comece a se normalizar em breve, apesar da persistência da fumaça na capital amazonense. Enquanto isso, os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelam que o estado acumulou 1.608 focos de queimadas desde o início do mês, um número que, apesar de elevado, ainda é inferior aos níveis alarmantes registrados em setembro, quando o total superou 3.700 focos.
A questão do desmatamento na Amazônia também é relevante, com Capobianco afirmando que houve uma redução significativa nos índices entre 2022 e 2025. No entanto, a atual onda de incêndios levanta preocupações sobre a eficácia das políticas de proteção ambiental e o impacto de ações criminosas na preservação da maior floresta tropical do mundo.
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