segunda-feira, 02/11/2026

Dólar R$ 5,43 Euro R$ 6,07

Imagens de elefanta com filhote falecido provocam reflexões sobre o luto em animais.

A recente experiência do fotógrafo Federico Veronesi na Namíbia trouxe à tona uma realidade comovente sobre a complexidade emocional dos elefantes. Durante uma expedição em setembro de 2025, Veronesi testemunhou uma cena que, à…

Compartilhe:

A recente experiência do fotógrafo Federico Veronesi na Namíbia trouxe à tona uma realidade comovente sobre a complexidade emocional dos elefantes. Durante uma expedição em setembro de 2025, Veronesi testemunhou uma cena que, à primeira vista, parecia ser um luto entre mãe e filho: uma elefanta carregava um filhote natimorto em sua tromba, um momento que ele descreveu como “íntimo e quase espiritual”.

O fotógrafo, que acompanhou a manada por horas, capturou imagens que revelam a dor e a sensibilidade desses animais majestosos. Sua foto, que ganhou o primeiro prêmio no renomado concurso Fotógrafo da Vida Selvagem do Ano de 2026, destaca a realidade emocional dos elefantes, uma faceta que muitas vezes passa despercebida pelo público em geral.

No entanto, uma reviravolta surpreendente se desdobrou quando Veronesi descobriu que a elefanta não era a mãe do filhote. Christin Winter, diretora da ONG Elephant Human Relations Aid, revelou que a elefanta, que perdeu seu próprio filhote há dois anos, já havia sido vista carregando filhotes natimortos de outras mães em diversas ocasiões. Essa prática, documentada pela primeira vez na região, sugere um comportamento complexo de luto e conexão com a perda.

Winter sugere que a elefanta pode estar tentando processar sua própria dor através do cuidado com os filhotes que não sobreviveram. “Ela pode estar traumatizada pela perda e, por isso, adota esse comportamento sempre que um filhote morre”, afirma. Essa observação não apenas amplia nossa compreensão sobre as emoções dos elefantes, mas também nos faz refletir sobre o impacto ambiental e humano que esses animais enfrentam diariamente.

Os elefantes do deserto da Namíbia, que habitam regiões áridas e migram em busca de alimento e água, estão em perigo. A população vem diminuindo devido a fatores como estresse ambiental e conflitos com humanos, especialmente em relação ao acesso à água. Winter ressalta que a mortalidade entre filhotes recém-nascidos é alarmantemente alta, refletindo um ciclo vicioso de sofrimento que pode estar ligado ao estresse crônico causado por esses conflitos.

Essas questões levantam um alerta sobre a necessidade de conservação não apenas da espécie, mas do bem-estar individual de cada elefante. Joyce Poole, especialista em elefantes, enfatiza que os elefantes, ao vivenciarem o luto, demonstram uma capacidade emocional profunda que merece nossa atenção e proteção. “Precisamos fazer mais para evitar o trauma dos animais”, conclui.

Por meio de sua arte, Veronesi busca não apenas documentar a vida selvagem, mas também sensibilizar o público sobre as complexidades emocionais que existem entre os elefantes. “Minha mensagem é que cada elefante é uma criatura que merece compreensão e conservação”, afirma. Em um mundo onde as interações entre humanos e a vida selvagem são cada vez mais tensas, as imagens de Veronesi oferecem uma janela para a alma desses animais, desafiando-nos a reconsiderar nossa relação com eles.