segunda-feira, 02/11/2026

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Queimadas no Amazonas aumentam, com 80% dos focos em propriedades rurais privadas após o primeiro turno eleitoral

Uma análise do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revela que a maioria dos focos de incêndio registrados no Amazonas durante o mês de outubro originou-se em imóveis rurais privados, com Cadastro Ambiental Rural…

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Uma análise do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revela que a maioria dos focos de incêndio registrados no Amazonas durante o mês de outubro originou-se em imóveis rurais privados, com Cadastro Ambiental Rural (CAR). Os dados, obtidos a pedido do g1, indicam que 79,1% dos 1.639 focos detectados entre 1º e 15 de outubro estavam localizados nessas propriedades. Esse cenário levanta questões preocupantes sobre a gestão ambiental e o uso do fogo na região.

A situação no Amazonas se torna ainda mais alarmante quando se considera que a capital, Manaus, e seus arredores enfrentam uma crise de incêndios, com números que superam em 109% a média histórica para o período. O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) aponta que a escalada dos focos de incêndio teve início em setembro, mas atingiu um pico alarmante a partir de 4 de outubro, coincidentemente com o primeiro turno das eleições.

As autoridades ambientais, incluindo o Ibama e a Polícia Federal, têm reiterado que a maioria dos incêndios é causada por ação humana e, muitas vezes, configura crime. O uso do fogo para manejo do solo, como a limpeza de pastagens, exige autorização específica do governo estadual, que foi suspensa desde 9 de setembro. Apesar disso, a prática continua, indicando um desrespeito às normas e uma falta de fiscalização efetiva.

O fenômeno da seca, exacerbado pelo El Niño, contribui para a propagação dos incêndios, que agora se alastram por áreas já desmatadas. Segundo especialistas, a maioria dos focos está em terrenos onde a vegetação foi derrubada nos últimos três anos, o que sugere que o desmatamento e o uso do fogo estão interligados em um ciclo vicioso de degradação ambiental.

Os dados também revelam que, mesmo com a queda no índice de desmatamento reportada recentemente, os incêndios continuam a devastar áreas que já foram desflorestadas. Isso demonstra que a redução no desmatamento não é suficiente para conter a utilização do fogo, que se torna uma ferramenta ilícita para limpar e manter terras previamente desmatadas.

A situação é ainda mais complicada pelo contexto político, onde a Polícia e o Ibama notam um aumento na impunidade associada ao uso do fogo durante o período eleitoral. As investigações em curso, que já contabilizam mais de 120 procedimentos criminais, indicam um ambiente propício para a prática ilegal de queimadas, com criminosos se aproveitando da falta de monitoramento efetivo.

Assim, o que se observa no Amazonas é um cenário de incêndios que não só ameaça a vegetação nativa, mas também revela uma grave crise de governança. A combinação de desmatamento, uso irregular do fogo e um contexto político tenso exige ações urgentes e eficazes para proteger o ecossistema e garantir que a legislação ambiental seja respeitada. Sem uma resposta contundente, o futuro da Amazônia e das comunidades que dela dependem continua em risco.