segunda-feira, 02/11/2026

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Estudo aponta que desmatamento na Amazônia é impulsionado mais por atividades humanas do que por condições climáticas secas

A Amazônia brasileira enfrenta uma crise sem precedentes, onde as atividades humanas, especialmente o desmatamento e as queimadas, são as principais responsáveis pelas emissões de carbono, superando até mesmo os impactos das mudanças climáticas.…

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A Amazônia brasileira enfrenta uma crise sem precedentes, onde as atividades humanas, especialmente o desmatamento e as queimadas, são as principais responsáveis pelas emissões de carbono, superando até mesmo os impactos das mudanças climáticas. Um estudo recente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgado na revista Nature, analisa 15 anos de dados sobre as emissões de CO₂ na região e revela a gravidade da situação.

Tradicionalmente, a floresta amazônica atua como um sumidouro de carbono, absorvendo gás carbônico e, assim, contribuindo para o controle do aquecimento global. Infelizmente, essa dinâmica se inverteu, com a Amazônia emitindo, em média, 1,17 bilhão de toneladas de CO₂ a mais do que consegue absorver anualmente entre 2010 e 2024. Essa mudança alarmante levanta questões sobre como uma floresta tão vasta pode se tornar uma fonte de emissões, e a resposta se revela em duas frentes: a devastação causada pela ação humana e os efeitos das condições climáticas extremas.

A pesquisadora Luciana Gatti, que liderou o estudo, enfatiza que a destruição da floresta não é impulsionada pelas mudanças climáticas globais, mas sim pelas atividades humanas. O desmatamento remove as árvores que poderiam capturar carbono, enquanto as queimadas liberam o carbono armazenado na vegetação. Além disso, eventos climáticos adversos, como secas severas, agravam a situação, reduzindo a capacidade da floresta de se regenerar e absorver CO₂.

Os dados do estudo revelam que o fogo é a principal fonte de emissões na Amazônia, com queimadas responsáveis por 1,47 bilhão de toneladas de CO₂ por ano, um número alarmante que supera o saldo total de carbono da floresta. Nos anos de desmatamento elevado, particularmente entre 2019 e 2022, as emissões aumentaram drasticamente, chegando a quatro vezes os níveis de anos chuvosos. Mesmo em períodos de seca extrema, é a ação humana que predomina, com 98% dos incêndios associados à atividade humana, muitas vezes em propriedades rurais.

Os efeitos dessa devastação vão além da floresta. A umidade da Amazônia é vital para o clima de todo o Brasil, influenciando padrões de chuva e temperatura. Infelizmente, a degradação da floresta já resultou em uma redução de 8% na precipitação anual e um aumento médio de temperatura de 1,13 °C ao longo de 46 anos. O estudo de Gatti é um alerta sobre a necessidade urgente de políticas públicas eficazes para proteger a Amazônia e, consequentemente, o clima global.

Os dados coletados também mostram que as queimadas estão se tornando uma ameaça crescente, superando os riscos do desmatamento. Em anos de seca extrema, as emissões originadas do fogo superaram as absorções da vegetação. Gatti destaca que a fiscalização mais rigorosa contra o desmatamento levou a uma mudança nas táticas de destruição, onde o fogo se tornou o novo método preferido para limpar áreas. Essa estratégia criminosa, frequentemente realizada em terrenos privados, destaca a ineficácia das políticas atuais em coibir tais práticas perigosas.

O estudo conclui que a combinação da ação humana com as mudanças climáticas exige uma resposta robusta e coordenada. Para reverter essa tendência preocupante, é essencial que se implemente uma fiscalização mais efetiva e que se estabeleçam políticas ambientais rigorosas, garantindo que a Amazônia possa continuar a desempenhar seu papel vital no equilíbrio climático do planeta.

Crédito da imagem: Terra Indígena Paraná do Arauató, no Amazonas.