As Nações Unidas emitiram um alerta nesta quarta-feira (21) sobre a emergência de uma mobilização internacional imediata em resposta ao fortalecimento do fenômeno El Niño, que poderá alcançar níveis sem precedentes até o final deste ano. A mensagem, proferida pela secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo, e pelo chefe das operações humanitárias da ONU, Tom Fletcher, destaca a urgência de ações preventivas para mitigar os impactos de secas, enchentes e outras consequências climáticas severas, especialmente para populações vulneráveis.
Saulo enfatizou a necessidade de uma resposta coordenada e rápida: “Não podemos impedir o El Niño, mas podemos evitar muitas de suas consequências humanas mais graves.” A insistência é clara: governos e instituições financeiras devem agir antes que os desastres ocorram, proporcionando os recursos necessários para proteger aqueles que mais sofrerão com as mudanças climáticas.
As previsões da OMM indicam que o fenômeno poderá atingir seu pico entre o final de 2026 e o início de 2027, com temperaturas do oceano Pacífico tropical superando recordes históricos. Estima-se que as anomalias de temperatura possam chegar a 3,8°C acima da média, o que, se confirmado, tornaria esse evento ainda mais intenso que o El Niño de 2015-2016, que já é lembrado como um dos mais impactantes da história recente.
Países da região andina estão se unindo para desenvolver estratégias coordenadas, uma vez que os efeitos do El Niño frequentemente cruzam fronteiras. Em discussões no âmbito do Comité Andino para a Prevenção e Alerta de Desastres (CAPRADE), os chanceleres destacaram a importância de uma resposta conjunta, especialmente em áreas fronteiriças que compartilham vulnerabilidades semelhantes.
Além dos aspectos meteorológicos, as agências humanitárias da ONU alertam para as repercussões sociais que o fenômeno pode desencadear. O impacto do El Niño de 2023-2024 já deixou dezenas de milhões em situação de necessidade, e as previsões atuais sugerem que o novo episódio poderá ser ainda mais devastador. Os efeitos se farão sentir principalmente na América Latina, no leste e sul da África, e em partes da Ásia e do Pacífico, onde a insegurança alimentar e a fragilidade econômica são preocupações constantes.
A ONU defende uma abordagem de “ação antecipada”, que visa liberar recursos antes do agravamento dos desastres, protegendo assim as comunidades e seus meios de subsistência. A experiência mostra que a assistência preventiva é não apenas mais eficaz, mas também menos custosa em comparação com as operações de emergência que ocorrem após a crise.
Com a agricultura, a saúde e a segurança alimentar em risco, a necessidade de ação é mais urgente do que nunca. As agências internacionais estão se mobilizando para financiar medidas preventivas que beneficiem milhões de pessoas em países vulneráveis, enquanto os sistemas de saúde são aconselhados a se prepararem para os riscos associados ao fenômeno.
Em resumo, a janela de oportunidade para agir ainda está aberta. A mensagem da ONU é clara: é necessário transformar previsões científicas em ações concretas, evitando que um fenômeno climático potencialmente devastador resulte em uma crise humanitária sem precedentes.
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