segunda-feira, 02/11/2026

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Desmatamento na Amazônia registra menor índice desde 1988, segundo dados do Inpe

Em um cenário alentador para a preservação ambiental, os dados mais recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelam que o desmatamento na Amazônia e no Cerrado alcançou os menores níveis históricos entre…

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Em um cenário alentador para a preservação ambiental, os dados mais recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelam que o desmatamento na Amazônia e no Cerrado alcançou os menores níveis históricos entre agosto de 2025 e julho de 2026. As informações foram divulgadas pelo governo federal em uma coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, nesta sexta-feira (16).

Na Amazônia, a área desmatada foi de 3.335 km², uma queda impressionante de 41,8% em relação ao ciclo anterior, que registrou 5.731 km². Esse número representa o menor índice desde o início do monitoramento em 1988. No Cerrado, a situação também é positiva: a destruição da vegetação nativa caiu para 5.516,69 km², uma diminuição de 23,8% em relação aos 7.235,27 km² do período anterior e o menor nível desde 2001.

Esses resultados são parte do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), que utiliza imagens de satélite para calcular a taxa oficial de desmatamento. Essa metodologia mais detalhada possibilita um acompanhamento mais preciso da degradação ambiental.

A queda significativa nos índices de desmatamento é atribuída ao fortalecimento das ações de fiscalização e ao controle de práticas ilegais nos últimos anos. Um marco importante nesse processo foi a reativação, em 2023, do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), criado em 2004 e responsável por uma queda expressiva nos índices entre 2004 e 2014.

Essas políticas visam aumentar as penalidades para quem realiza desmatamentos ilegais, utilizando instrumentos como os embargos remotos. Com essa abordagem, áreas desmatadas sem autorização são identificadas por imagens de satélite e bloqueadas, impedindo o uso e a comercialização dos produtos derivados dessas regiões.

Além disso, a maior atuação dos estados, o aumento das autuações por parte do Ibama e a vigilância mais rígida dos bancos em relação a dados de desmatamento na concessão de crédito rural têm contribuído para o controle da situação. Esses fatores dificultam o acesso a financiamentos para propriedades que apresentem desmatamento irregular.

No entanto, o Cerrado mostra uma redução mais lenta, em parte devido à legislação que permite o desmatamento de áreas específicas, desde que autorizado pelo órgão ambiental estadual. Isso resulta em uma maior incidência de desmatamento em propriedades regularizadas, o que não é penalizado por embargos e multas, tornando a redução desse índice mais desafiadora.

Para avançar no combate ao desmatamento no Cerrado, será necessário explorar novas estratégias, como incentivos econômicos que encorajem os produtores a manter a vegetação nativa e a implementação de regras mais rigorosas para as autorizações concedidas pelos estados.