O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) anunciou um avanço significativo na monitorização do desmatamento no Brasil, ao integrar inteligência artificial em seu processo de detecção de vegetação nativa perdida. O projeto, denominado SIM-Biomas, contará com um aporte de R$ 147,6 milhões do Fundo Amazônia e foi revelado no mesmo dia em que o governo divulgou dados indicando o menor índice de desmatamento na Amazônia desde 1988.
Com uma longa trajetória de monitoramento por satélite, o Inpe é um pilar na coleta de informações sobre a degradação ambiental no país. Seus dados não apenas fornecem uma taxa oficial de desmatamento, mas também orientam a fiscalização ambiental e alimentam os inventários de emissões que o Brasil apresenta em compromissos internacionais, como o Acordo de Paris.
A implementação da inteligência artificial promete unir os sistemas Prodes e Deter, que até agora operavam de forma separada, oferecendo um tempo de resposta mais ágil e informações mais detalhadas. A nova abordagem permitirá que alertas sobre desmatamento e degradação cheguem a outras áreas, como a Caatinga e a Mata Atlântica, que até então não eram monitoradas com a mesma frequência.
Outro aspecto inovador do projeto é a melhoria na precisão do mapeamento de áreas queimadas, que passará de uma resolução de 1 quilômetro para 30 metros. Essa mudança é crucial para entender a extensão e o impacto dos incêndios, permitindo um planejamento mais eficaz para a prevenção e combate às chamas.
Além de registrar o que já foi destruído, o Inpe pretende, agora, prever quais áreas estão em maior risco de desmatamento, utilizando um Subsistema de Inteligência Territorial que cruzará dados de diferentes naturezas — desde condições climáticas até informações sobre a posse da terra.
Com a automação da análise de imagens, espera-se que a produção de dados se torne mais frequente, diminuindo o tempo de resposta entre a alteração no uso do solo e a notificação às autoridades competentes. Essa agilidade é essencial, especialmente em um cenário em que a fiscalização em campo é fundamental para a efetividade das ações de proteção ambiental.
Historicamente, o Inpe enfrentou desafios orçamentários, especialmente durante o governo anterior, que questionou publicamente a precisão de seus dados. Contudo, a recente injeção de recursos do Fundo Amazônia, que conta com doações internacionais, permite ao instituto não apenas manter, mas expandir suas capacidades tecnológicas e operacionais.
O projeto SIM-Biomas representa um passo importante na luta contra o desmatamento no Brasil, mas a eficácia das medidas continuará dependendo da fiscalização efetiva e do engajamento das autoridades responsáveis em campo. Com a nova plataforma pública, o TerraBrasilis++, os dados estarão mais acessíveis, promovendo maior transparência e permitindo que a sociedade acompanhe de perto a situação das florestas brasileiras.
Crédito da imagem: Sede do Inpe, em São José dos Campos



