Os recifes de corais, considerados um dos ecossistemas marinhos mais ricos do planeta, enfrentam uma crise alarmante. Um novo estudo, publicado na revista “Nature”, revela que quase 50% das espécies de corais que formam esses habitats estão ameaçadas de extinção. A pesquisa, que representa a mais abrangente avaliação global sobre corais, analisou 892 espécies e constatou que 340 delas, ou 44%, estão em risco.
O panorama global é preocupante, com 33 espécies classificadas como criticamente ameaçadas e outras 251 ameaçadas, além de 56 que são vulneráveis. Desde a avaliação anterior, realizada em 2008, a situação se agravou, quando cerca de um terço das espécies já era considerado ameaçado. O principal culpado por essa deterioração é o aquecimento dos oceanos, um efeito direto da mudança climática. Esse fenômeno provoca o branqueamento dos corais, levando-os a expulsar as algas que lhes fornecem energia e, em última instância, pode resultar em sua morte.
David Obura, um dos autores do estudo e copresidente do grupo de especialistas em corais da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), aponta que os resultados revelam uma intensificação das ameaças. Contudo, os pesquisadores alertam que a situação atual pode ser ainda mais crítica, uma vez que os dados utilizados vão até 2020 e não refletem os efeitos dos três anos de temperaturas excepcionalmente altas que se seguiram.
O estudo também destaca que a situação é particularmente alarmante no Atlântico, onde metade das espécies de corais analisadas está ameaçada de extinção. No Nordeste do Brasil, essa proporção é ainda maior, com a região abrigando espécies endêmicas que não existem em nenhum outro lugar do mundo. A perda de qualquer uma dessas espécies pode ter impactos devastadores no ecossistema local, uma vez que a extinção de uma espécie endêmica significa a extinção global dessa variedade.
Durante o quarto evento global de branqueamento, registrado recentemente, o litoral brasileiro sofreu severos episódios de mortalidade entre as espécies de coral, especialmente entre os Acroporidae, que são essenciais para a formação da estrutura dos recifes. No Indo-Pacífico, 68% das espécies desse grupo estão ameaçadas, enquanto no Atlântico, algumas, como a Acropora cervicornis e a Acropora palmata, enfrentaram quedas populacionais superiores a 80%.
Além disso, a degradação dos recifes pode não ser visível à primeira vista, pois a cobertura dos corais pode parecer estável mesmo após a perda de espécies sensíveis, que são substituídas por variedades mais resistentes. Entretanto, essa troca resulta em uma diminuição da diversidade e da complexidade estrutural dos recifes, comprometendo seu funcionamento e a vida marinha que deles depende.



