segunda-feira, 02/11/2026

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Metade das espécies de corais em recifes globais enfrenta risco de extinção.

Os recifes de corais, considerados um dos ecossistemas marinhos mais ricos do planeta, enfrentam uma crise alarmante. Um novo estudo, publicado na revista “Nature”, revela que quase 50% das espécies de corais que formam…

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Os recifes de corais, considerados um dos ecossistemas marinhos mais ricos do planeta, enfrentam uma crise alarmante. Um novo estudo, publicado na revista “Nature”, revela que quase 50% das espécies de corais que formam esses habitats estão ameaçadas de extinção. A pesquisa, que representa a mais abrangente avaliação global sobre corais, analisou 892 espécies e constatou que 340 delas, ou 44%, estão em risco.

O panorama global é preocupante, com 33 espécies classificadas como criticamente ameaçadas e outras 251 ameaçadas, além de 56 que são vulneráveis. Desde a avaliação anterior, realizada em 2008, a situação se agravou, quando cerca de um terço das espécies já era considerado ameaçado. O principal culpado por essa deterioração é o aquecimento dos oceanos, um efeito direto da mudança climática. Esse fenômeno provoca o branqueamento dos corais, levando-os a expulsar as algas que lhes fornecem energia e, em última instância, pode resultar em sua morte.

David Obura, um dos autores do estudo e copresidente do grupo de especialistas em corais da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), aponta que os resultados revelam uma intensificação das ameaças. Contudo, os pesquisadores alertam que a situação atual pode ser ainda mais crítica, uma vez que os dados utilizados vão até 2020 e não refletem os efeitos dos três anos de temperaturas excepcionalmente altas que se seguiram.

O estudo também destaca que a situação é particularmente alarmante no Atlântico, onde metade das espécies de corais analisadas está ameaçada de extinção. No Nordeste do Brasil, essa proporção é ainda maior, com a região abrigando espécies endêmicas que não existem em nenhum outro lugar do mundo. A perda de qualquer uma dessas espécies pode ter impactos devastadores no ecossistema local, uma vez que a extinção de uma espécie endêmica significa a extinção global dessa variedade.

Durante o quarto evento global de branqueamento, registrado recentemente, o litoral brasileiro sofreu severos episódios de mortalidade entre as espécies de coral, especialmente entre os Acroporidae, que são essenciais para a formação da estrutura dos recifes. No Indo-Pacífico, 68% das espécies desse grupo estão ameaçadas, enquanto no Atlântico, algumas, como a Acropora cervicornis e a Acropora palmata, enfrentaram quedas populacionais superiores a 80%.

Além disso, a degradação dos recifes pode não ser visível à primeira vista, pois a cobertura dos corais pode parecer estável mesmo após a perda de espécies sensíveis, que são substituídas por variedades mais resistentes. Entretanto, essa troca resulta em uma diminuição da diversidade e da complexidade estrutural dos recifes, comprometendo seu funcionamento e a vida marinha que deles depende.