segunda-feira, 02/11/2026

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Nova espécie de peixe das nuvens encontrada no Amapá enfrenta ameaça de extinção; saiba mais sobre o assunto.

Pesquisadores brasileiros acabam de descobrir uma nova espécie de peixe nas margens do Rio Cajari, no sul do Amapá. Batizada de Laimosemion laranja, essa pequena criatura, que atinge cerca de 3 centímetros, se destaca…

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Pesquisadores brasileiros acabam de descobrir uma nova espécie de peixe nas margens do Rio Cajari, no sul do Amapá. Batizada de Laimosemion laranja, essa pequena criatura, que atinge cerca de 3 centímetros, se destaca por sua vibrante coloração alaranjada, cuja tonalidade faz referência ao município de Laranjal do Jari, onde os primeiros exemplares foram encontrados. No entanto, essa nova adição à biodiversidade já enfrenta sérios riscos de extinção, principalmente devido à interferência humana na região.

O estudo que descreve essa espécie revela que seu habitat se restringe a apenas três localidades, todas sob pressão de atividades como garimpo, desmatamento e expansão urbana. Diante desse cenário alarmante, os cientistas sugerem a adoção de medidas urgentes de conservação, incluindo a ampliação da Reserva Extrativista do Rio Cajari, a fim de proteger os ecossistemas onde o Laimosemion laranja habita. De acordo com a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), a espécie já está categorizada como “Em Perigo” (EN).

O curioso apelido de ‘peixe das nuvens’ se deve a uma fascinante estratégia de reprodução. Durante a estação chuvosa, os peixes depositam seus ovos em poças formadas pelas chuvas, mas quando a seca se instala, os adultos perecem, enquanto os ovos permanecem adormecidos no solo. Com a chegada das chuvas no ano seguinte, o ciclo recomeça, trazendo à tona esses peixes coloridos. O biólogo Yuri Abrantes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), destaca que esse fenômeno gerou crenças populares de que os peixes surgiam das nuvens durante a chuva.

A vulnerabilidade do Laimosemion laranja está atrelada à fragilidade de seu ambiente. Esses peixes habitam áreas alagadas ao longo de igarapés, ecossistemas temporários que dependem diretamente do regime de chuvas. Mudanças climáticas e degradação ambiental colocam a sobrevivência da espécie em risco. Abrantes enfatiza que qualquer poluição hídrica pode comprometer a biologia desses organismos, e a combinação de sua distribuição limitada com habitats degradados mostra que a extinção da espécie é uma possibilidade real e iminente.

Crédito da imagem: Macho da espécie recém-descoberta no Amapá