Um novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) revela que as recentes metas climáticas propostas por diversos países poderão resultar em uma redução modesta de apenas 6% nas emissões globais de gases de efeito estufa até 2035. Este número é alarmantemente inferior ao corte de 60% necessário para conter o aumento da temperatura global a 1,5°C, conforme estipulado no Acordo de Paris.
A análise, divulgada na véspera da COP31 que ocorrerá entre 9 e 20 de novembro em Antália, Turquia, considera 127 novas metas climáticas nacionais apresentadas entre janeiro de 2024 e agosto de 2026. Essas contribuições, conhecidas como NDCs, englobam 154 participantes do Acordo de Paris, que juntos são responsáveis por cerca de 71% das emissões globais de 2019, sem incluir desmatamento e mudanças no uso da terra.
O documento da ONU destaca que, mesmo se esses compromissos forem implementados integralmente, as emissões ainda ficariam em média 6% abaixo dos níveis de 2019. Para evitar os impactos severos das mudanças climáticas, a redução deveria ser significativamente mais profunda, com a meta de 2°C exigindo uma queda de cerca de 37%.
A previsão da ONU é que, caso os novos compromissos sejam respeitados, as emissões globais se estabilizem entre 49,6 bilhões e 55,9 bilhões de toneladas de CO2 equivalente em 2035. No entanto, essa redução é insuficiente para evitar que o aquecimento global ultrapasse 1,5°C, com estimativas apontando para um aumento de até 3,2°C até o final do século, caso as tendências atuais persistam.
Além disso, as projeções indicam que o mundo pode esgotar rapidamente o orçamento de carbono disponível para limitar o aquecimento a 1,5°C, com uma emissão prevista de 368 bilhões de toneladas de CO2 entre 2026 e 2035, quase três vezes o limite necessário para cumprir essa meta. A ONU alerta que isso exigiria a remoção de grandes quantidades de CO2 da atmosfera para tentativas de controle do aquecimento.
Apesar das limitações, a ONU reconhece um aumento na ambição das metas climáticas, com 90% dos países analisados considerando as conclusões do balanço global do Acordo de Paris. A transição energética e a modernização das redes elétricas estão entre as prioridades, mas a implementação dessas medidas ainda encontra obstáculos significativos, especialmente em países em desenvolvimento, onde o financiamento adequado é um desafio persistente.
Com a COP31 se aproximando, as negociações devem se concentrar na redução das emissões e na necessidade urgente de financiamento para apoiar as nações mais vulneráveis. O futuro do clima global depende da capacidade dos países em honrar suas promessas e adotar ações concretas para enfrentar a crise que se avizinha.



