segunda-feira, 02/11/2026

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Organizações levantam preocupações sobre declarações de Flávio a favor da flexibilização de normas ambientais para a agricultura

Na última segunda-feira (19), o senador Flávio Bolsonaro, candidato à presidência pelo PL, provocou uma onda de críticas ao afirmar que pretende eliminar “entraves ambientais” para que os produtores possam operar livremente em suas…

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Na última segunda-feira (19), o senador Flávio Bolsonaro, candidato à presidência pelo PL, provocou uma onda de críticas ao afirmar que pretende eliminar “entraves ambientais” para que os produtores possam operar livremente em suas propriedades. A declaração foi feita durante um ato de campanha em Marabá, no Pará, onde o candidato busca ampliar sua base de apoio no Norte do país.

Flávio assegurou que seu plano inclui a regularização fundiária sem precedentes na região, enfatizando a propriedade privada e a liberdade de exploração dos recursos da terra. “Você vai poder plantar, criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra”, disse, ao mesmo tempo em que deslegitimou as preocupações ambientais como meras questões ideológicas.

Entidades de proteção ao meio ambiente, como o Instituto Socioambiental (ISA), não tardaram a rebater suas declarações. Para o ISA, a postura de Flávio representa um retrocesso no entendimento sobre a Amazônia, tratando-a como mera fonte de exploração, enquanto ignora a importância da floresta para o equilíbrio ecológico e os serviços ambientais que ela oferece. “O valor da Amazônia está na floresta em pé”, destacaram, criticando a visão de que o desmatamento é um caminho viável para o desenvolvimento agropecuário.

A coordenadora de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil, Cristiane Mazzetti, também se manifestou contra a abordagem do candidato, afirmando que a preservação ambiental transcende ideologias e é uma questão que envolve todos os cidadãos. Ela ressaltou que as recentes quedas nas taxas de desmatamento estão ameaçadas por uma possível eleição de um “negacionista” que vê o meio ambiente apenas como um obstáculo.

A lembrança de um episódio do governo Jair Bolsonaro, onde o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sugeriu que o governo aproveitasse a distração da população durante a pandemia para flexibilizar as regras ambientais, permeia as críticas atuais. Marcio Astrini, do Observatório do Clima, expressou preocupação com a possibilidade de um retorno a essa mentalidade predatória, destacando que a proteção ambiental foi tratada como adversária durante o governo anterior.

As declarações de Flávio Bolsonaro não apenas reacendem debates sobre a exploração da Amazônia, mas também levantam questões sobre o futuro da política ambiental no Brasil, em um momento crítico em que a preservação da biodiversidade e a luta contra as mudanças climáticas são mais urgentes do que nunca.