A Coalizão Jurídica Transnacional (TLC) decidiu acionar autoridades reguladoras na Europa, apresentando 14 denúncias contra a JBS e seus financiadores, com alegações de lavagem de dinheiro e envolvimento em desmatamento ilegal. As notificações foram enviadas para agências na Holanda, Alemanha, Irlanda e Reino Unido, como parte de um esforço mais amplo para responsabilizar empresas e instituições financeiras por possíveis violações ambientais.
As acusações se baseiam em dados que indicam que fornecedores da JBS podem estar ligados a aproximadamente 6,6 milhões de hectares de desmatamento desde 1988, incluindo áreas protegidas e terras indígenas. A TLC, que agrega organizações jurídicas e ambientais, busca chamar a atenção das autoridades financeiras sobre os riscos associados à cadeia de fornecimento da companhia brasileira, visando tornar a legislação de lavagem de dinheiro uma ferramenta para combater crimes ambientais.
Octavio Ferraz, advogado e membro da coalizão, enfatiza que o uso da lei de lavagem de dinheiro para questões ambientais é uma abordagem inovadora. Ele ressalta que, à luz das evidências coletadas, instituições financeiras devem aumentar sua vigilância e notificar as autoridades quando identificarem indícios de envolvimento em atividades ilícitas.
A JBS, por sua vez, se defende afirmando não ter acesso completo ao conteúdo das denúncias e reiterando seu compromisso em monitorar seus fornecedores desde 2010, utilizando tecnologia de georreferenciamento e imagens de satélite para evitar práticas ilegais. A empresa afirma que bloqueia automaticamente fazendas que apresentam desmatamento ilegal ou que se sobrepõem a terras indígenas.
Além da JBS, as denúncias atingem uma lista de instituições financeiras de peso, incluindo Barclays, Banco do Brasil e BlackRock, levantando questões sobre a responsabilidade dessas organizações em evitar o financiamento de atividades prejudiciais ao meio ambiente.
Um estudo elaborado para a TLC revelou que mais de 80% dos fornecedores analisados têm registros de desmatamento em áreas protegidas. No entanto, é importante notar que a metodologia utilizada tem limitações, como a dificuldade em rastrear o percurso do gado individualmente. Apesar disso, a coalizão acredita que os dados são contundentes o suficiente para justificar a preocupação das instituições financeiras sobre possíveis irregularidades em sua rede de clientes.
O Banco do Brasil, em resposta, afirmou que ainda não teve acesso às denúncias, mas garantiu que possui políticas rigorosas de prevenção à lavagem de dinheiro e que evita direcionar financiamentos para atividades que não estejam alinhadas com diretrizes socioambientais. A situação evidencia a crescente pressão sobre o setor financeiro para que adote posturas mais proativas em relação à sustentabilidade e à responsabilidade corporativa.
Crédito da imagem: Fachada da empresa JBS em Goiás



